Aquivos por Autor: lcsilva

1º ciclo de cinema: CURTAS EM FLAGRANTE

Integrado no âmbito do projeto CINEaniMA, o Grupo Coral do Estreito tem a honra de apresentar a realização do ciclo CURTAS EM FLAGRANTE | ESTREITO DE CÂMARA DE LOBOS resulta de uma parceria entre o projeto CINEaniMA [Grupo Coral do Esreito] e a associação ELEMENTO INDESEJADO, responsável por esta mostra itinerante de cinema de jovens realizadores portugueses. Com este projecto pretendemos funcionar como uma plataforma de divulgação de jovens realizadores e profissionais da área.As sessões do cilco são de entrada gratuita e o público alvo são todas as pessoas da área ou interessados em saber o que se faz, hoje em dia, no meio do cinema e do video, em PoCurtas em Flagrante é um happening, já percorreu vários pontos do País, e vem este ano pela primeira vez às ilhas, nomeadamente à Madeira. Não é uma competição, mas sim um dinamizador de criações.ciclo de cinema CURTAS EM FLAGRANTE | ESTREITO DE CÂMARA DE LOBOS, que vem pela primeira vez à Madeira e resulta de uma parceria com a associação ELEMENTO INDESEJADO, responsável por esta mostra itinerante de cinema de jovens realizadores portugueses.

Contabilizando já três edições, esta mostra de cinema itinerante tem como principal objetivo dar uma resposta às necessidades de apoio e divulgação dos jovens criadores nacionais das áreas do cinema e do audiovisual.

O CURTAS EM FLAGRANTE funciona como uma plataforma de divulgação de jovens realizadores e profissionais da área, levando a todo o país os trabalhos, que muitas vezes não saem das prateleiras, a percorrer uma viagem de reconhecimento e de descoberta de novos talentos.

No decorrer das três edições, que tiveram lugar em 2009, 2010 e 2011, foram exibidos mais de 60 curtas‐metragens em 25 cidades, apresentando 50 sessões em 36 espaços diferentes, contando sempre com bastante adesão por parte do público.

Este é um festival que parte da iniciativa de jovens ligados ao setor do cinema e audiovisual e contempla uma vertente de intervenção sociocultural, pois privilegia parecerias com outros dinamizadores culturais de vários pontos do país, permitindo uma maior aproximação dos interessados da área e do público em geral criando assim uma nova rede de comunicação no meio audiovisual.

Para consultar a programação siga-nos no facebook: http://www.facebook.com/projeto.cineanima


projeto CINEaniMA

Numa ótica de inovação e de abertura da associação Grupo Coral do Estreito, para além das atividades de canto coral, iremos dar início, no próximo mês de agosto a um conjunto de novas atividades dirigidas essencialmente aos jovens entre os 15 e os 30 anos da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, sendo naturalmente abertas a jovens de outras freguesias.

O projeto CINEaniMA resulta de uma candidatura ao Programa Juventude em Acção que apoia todas as atividades que irão decorrer entre os meses de Julho de 2011 e Maio de 2012.

Todas as informações estão disponíveis o site do projeto CINEaniMA


:: estórias | as «festas de agosto» [1]

…no vagar da agitação destes dias efémeros, recupero da memória a lembrança dos tempos pretéritos em que as festividades religiosas tinham uma outra relevância e marcavam decisivamente a corrente dos dias. ah! o frenezim, a ansiedade, o desassossego que se instalava nas semanas que antecediam as «festas de agosto». e a agitação crescia, excitava com o passar dos dias, que demoravam, que eram infindáveis, entre brincadeiras pueris nos escassos caminhos rústicos, entre a modorra das tardes solarengas passadas na berma de um qualquer tanque de água de rega, barrenta, revolta por mergulhos hesitantes.

e, algumas semanas antes das «festas», a viagem monótona de autocarro, que nos conduzia, a mim e à mãe, à cidade, como que em peregrinação anual. o funchal que nesse tempo era tão distante, inacessível. ah! a cidade! e o autocarro estacava na paragem e à nossa frente a porta abria-se, com vagar, lenta, como o correr desses dias, como se não tivesse pressa de zarpar. e eu, agitado, galgava num rompante os enormes degraus, percorria o corredor e perscrutava os bancos disponíveis, para sentar, a mim e à mãe. e ela, sempre, advertia, por uma insondável razão, que os bancos, esses, tinham de ser os do meio, nem muito à frente, nem muito a trás. eu obediente concordava, porque no meio está a virtude. entrementes, o cobrador de bilhetes, com voz rústica e tosca, gritava do fundo do autocarro: - «siga!». um solavanco seco recuperava-nos do torpor, o autocarro retomava a viagem. sentado junto à janela, com olhos curiosos, observava a lenta película que o vidro do meu assento me projectava. a estrada íngreme e sinuosa, que serpenteia a difícil montanha e os vales do povoado. as casas, as vinhas, os poios cultivados, aqui e além um homem que transporta, às costas, um incómodo fardo de lenha. o filme desliza, moroso, e as imagens transfiguram-se. outras casas, muitas casas, coloridas, alcandoradas numa breve elevação que avança do mar. e, nisto, avistávamos um vasto manto de telhados, entrecortado pelas vielas estreitas, que abraçam o mar azul, imenso, da baía dos lobos. e o autocarro parava. agora, o vidro da minha janela contempla-me uma tela harmoniosa, com uma celeste amalgama de casas, barcos, marujos, crianças. a algazarra das vozes que saem e das vozes que entram no autocarro interrompem-me a visão mirífica. à vez, uma torrente contínua de homens, de mulheres, de crianças, com fácies de traços tangerinos, o olhar vazio e a tez queimada, precipita-se no habitáculo do autocarro, à cata dos poucos assentos ainda disponíveis. de novo a voz rústica e tosca ordenava: – «siga!«; e o autocarro seguia viagem, deixando para traz o odor inconfundível do peixe que secava no calhau. a zoada pastosa e molenga, a lengalenga quase imperceptível, amainava e os passageiros continham as palavras e entravam numa sonolência passageira. à janela, retomo o filme melancólico e vagaroso, com o mar ao fundo, infinito.

depois, era a cidade. o autocarro percorria as ruas do funchal, reconhecendo-lhes o sentido, a direcção. nas ruas, os passeios de calçada portuguesa, amparavam o andar errante dos transeuntes, indiferentes de mim, de todos nós que agora chegávamos à cidade. o motorista conduzia o autocarro para a paragem em frente ao comando militar, na imensa avenida do mar, rendilhada de exuberantes árvores e de palmeiras. e pela última vez, a voz rústica e tosca, brandia, com voz de comando:  – «porta de ‘traz!». as portas obedeciam e escancaravam-se. nas entranhas daquele imenso monstro o povoléu revolvia-se e, numa espécie de incontido vómito, a horrenda máquina regurgitava os passageiros lançando-os no alvoroço urbano.

estacada no passeio a mãe recompunha-se, ajeitava-me a camisa, segurava firme a minha mão, e mergulhavamos na turba. num passo estugado percorríamos as ruas da cidade. sem delongas visitávamos as costumeiras lojas. as mesmas montras, as mesmas pessoas que nos atendiam, quase reconhecia os rostos dos clientes, desde que, haviam já vários meses, ali tínhamos estado. a empregada do balcão, com um olhar desdenhoso, perguntava-nos, com indiferença, o que queríamos. e a mãe, insegura da altivez urbana, com a voz a se lhe embargar, murmurava: – «quero comprar uma camisa e umas calças para esta criança!», e eu encolerizava-me, que já não era criança, mas continha a minha revolta. a empregada olhava-me de soslaio, mirava-me de cima a baixo, sem esboçar a mínimo sentimento ou emoção, virava-nos as costas, apeava-se num escadote e punha-se à cata, por entre pilhas multiformes de tecidos e de roupas, as calças e a camisa, que depois nos atirava ao balcão, dizendo: – «veja se isto serve?». servia, certamente. – «é mesmo isto!», ripostava a mãe. e na sapataria o mesmo apático diálogo. e, assim, sem a minha permissão, sem o meu consentimento, indiferente de mim, fora decidido e comprado a roupa que eu haveria de estrear nas «festas de agosto». e era assim que, todos os anos, nestas festas, estreava sempre uma muda inteira de roupa, nova. e era com essa roupa envergada no meu corpo franzino que, no dia da «festa», descia a ladeira que nos conduzia à igreja, renovado, vaidoso, elegante, exibindo a minha fugaz e efémera glória. e era com essa roupa nova que, de aqui em diante, iria todos os domingos à missa; e era com ela que iria aos escassos e fortuitos acontecimentos especiais. – «zela essa roupa! óh rapaz! tem modos e não estragues a roupa da missa.», advertia a mãe. eu zelava-a com todo o cuidado, como quem guarda um tesouro precioso. tinha que durar pelo menos um ano, pois apenas no ano seguinte regressaria ao funchal, com a mãe, no autocarro molengão, alguns dias antes das «festas de agosto», para comprar a roupa nova… (continua…)


Foi com uma enorme satisfação…

…e um imenso regozijo pessoal que re-descobri o risível artista da nossa terra, João Quintino.  Talvez @ car@ leitor(a) possa considerar estouvada esta minha manifestação. Mas não, não estranhe! Fiquei mesmo feliz, quase fora de mim! Confesso: ”já fui feliz” ao som das músicas de João Quintino. Nos idos finais dos anos noventa, depois das Marchas Populares de São João na freguesia da Quinta Grande / Câmara de Lobos, num concerto improvisado no campo de futebol. Foi ali que, enquanto bebericava uma refrescante cerveja, escutei pela primeira vez os desafinados, mas inesquecíveis, versos: “i di mãos dadas vamos passear, esquece o outro malvado, vamos namorar…“. Foi total a loucura. Eu, os meus amigos (lembram-se Fátima, Virgílio e Teresa?), o povo todo ali presente, deliramos com o espectáculo total, do artista total.

Não pense @ leitor(a) que exagero. Não, nada disso. Acaso julga que são escarnecedoras as minhas palavras? Pois seja… Mas, não sou só eu que o digo! Confira o que nos diz o site “O Cantinho da Madeira“, sobre a dimensão do artista: «Ao longo dos últimos anos [João Quintino] tem levado a alegria e animação a várias comunidades de emigrantes espalhadas pelo mundo, nomeadamente à Venezuela e África do Sul… Algumas das músicas têm conquistado o coração de muitos madeirenses…». Peceberá, agora, @ leitor(a) a razão do meu entusiasmo?!!!

Consta ainda, e segundo notícia da imprensa regional desta semana, que o cantor, nado e residente na nossa serrana freguesia do Jardim da Serra, irá participar, pela primeira vez, num concerto na mais Graciosa das ilhas dos Açores, onde irá apresentar o seu novíssimo álbum “Fátima” e levar ao desafortunado poviléu açoreano o seu risível talento.

Por mim, que devido à conjuntura económica internacional não recolhi ainda os cobres necessários para adquirir o novo sucesso do artista, conformo-me a trautear o inigualável verso… “i di mãos dadas, vamos passear, esquece o outro malvado, vamos namorar…“… junte-se a mim, trautei-e comigo: “i di mãos dadas,…

(clique abaixo e ouça a música)

Num assomo de nostalgia…

… recuperei algumas das fotos dispersas em esconsos ficheiros do meu computador e decidi compilá-las no álbum que agora publico… a cadência intermitente das fugazes imagens denuncia alguns momentos dos cerca de 19 anos de história do Grupo Coral do Estreito…

(nota: faltam digitalizar algumas foto. Logo que possível actualizaremos o álbum.)

Hoje vamos dedicar uma música…

…ao nosso querido amigo Luís (tenor) que, por motivos académicos/profissionais, se encontra ausente da Madeira e não tem tido hipótese de vir aos ensaios.

Luís, em nome de todos os homens do grupo coral, quero manifestar-te que estamos muito solidários com a tua “solidão”, pois sabemos o quão dificil é estar longe da nossa terra e particularmente da nossa amada. Estamos solidários, pois já tivemos os nossos momentos de solidão e sabemos bem que “a solidão é o maior castigo” (lol)…

Por isso dedicamos-te uma música que, sabemos, vais apreciar muito. A música é da Adriana Calcanhoto e chama-se “Fico Assim Sem Você“.

 

 

 

Nota 1: para os visitantes do blog e que não pertencem ao coro, informo que este vídeo tem a ver com uma “private joke” que foi muito badalada na última viagem que fizemos a Beja.

DDiarte…

…uma dupla artística madeirense de sucesso.

Segundo notícia do Diário de Notícias da Madeira de hoje, os criadores Zé Diogo e Diamantino Jesus foram escolhidos para produzir a campanha publicitária de uma importante empresa nacional de comercialização de flores, a Florineve. Neste trabalho participarão ainda a jovem modelo madeirense Quélia Vieira, que será o rosto da marca; bem como o Ricardo Cecílio, habitualmente associado à produção artistica dos fotógrafos, através das maquilhagens e penteados dos modelos.

Este é mais um importante passo na expansão da carreira artística desta dupla. Recordo que os DDiarte têm uma produção artística de grande relevo, tendo inclusive conquistado importantes prémios internacionais ao nível da imagem digial, sendo que diversos trabalhos seus integram a prestigiante Colecção Berardo.

O trabalho destes criadores madeirenses centra-se ao nível da fotografia de estúdio com um forte trabalho de manipulação digital. Apesar de eu preferir a verdadeira fotografia, que capta o momento sem encenações, confesso que o trabalho dos DDiarte é de uma grande e impressionante qualidade artística. A criatividade dos fotógrafos leva-os a criar belíssimas imagens, de uma qualidade estética assinalável. Merecem o sucesso que têm granjeado.

Como referi, a Colecção Berardo contempla já cerca de 25 trabalhos da dupla Zé Diogo e Diamantino Jesus, de entre os quais deixo aqui alguns exemplos (para ver toda a colecção clicar aqui):

 (Título: Brainstorming, 2004)

 (Título: Ar, 2007)

 (Título: Trapedd in Black, 2005)

 (Título: Eos, 2005)

 (Título: Baco, 2006)

 

PARA QUEM tiver interesse em conhecer melhor o trabalho dos DDiarte, recomendo uma visita ao site pessoal dos artistas neste endereço: www.ddiarte.com


Este ano, a noite de São João…

…teve uma vivacidade que há já muito tempo não via.

Recordo que há alguns anos atrás o São João era vivenciado muito intensamente. Durante o dia, as mulheres e as crianças empenhavam-se arduamente nos preparativos para uma noite que se queria calorosa e animada.

Os mais novos calcorreavam as veredas e caminhos à busca de molhos de cana-vieira e “alegra-campos” para ornamentar os fontanários. Á socapa, sorripiavam braçados de vides e restos de madeira, aos vizinhos mais desprevenidos, e empilhavam-nos a um canto, cuidadosamente estudado, junto ao fontanário, para que à noite lhes ateassem fogo. Nos fontanários, as mulheres debruavam o manto verde de canas-veira e “alegra-campos” com flores colhidas nos quintais, com a mesma delicadeza com que cerziam os linhos dos Bordados Madeira. E os fontanários engalanavam-se todos para uma noite festiva.

E a noite chegava vagarosa. E os mais novos impacientavam-se, à espera que alguém ateasse o fogo. E os rostos cansados dos mais velhos bruxuleavam à luz das velas. E algumas vozes chorosas lengalengavam um despique improvisado. E alguém aproximava-se da fogueira. E num gesto cuidadoso ateava o fogo. E um tímido feixe de lume afirmava-se. E os olhos brilhantes dos mais novos observavam, maravilhados, o lume que já não era tímido. Era uma labareda. Era, enfim, uma fogueira. A fogueira de São João. E um ingranzéu de vozes eclodia, e avolumava-se, e tornava-se insurdecedor. E a multidão rejubilava, numa alegria contagiante. E, no silêncio de um secreto desejo, um menino atirava uma moeda sonhadora…

E esta noite, num revisitado gesto pueril, atirei uma moeda a uma fogueira.

Por ser noite de São João, o Grupo Coral não fez ontem o habitual ensaio da segunda-feira. Por isso, e porque no ar respirava-se o recrudescer de uma tradição desusada, deixei-me levar pelo apelo da memória. Na escuridade da noite veslumbrava-se o lampejo de uma miríade de feixes de lume que anunciavam o divertimento re-enventado.

Peguei na máquina fotográfica e parti sem destino. Descobri que, se a tradição já não é o que era, seguramente que também não é assim tão diferente daquilo que sempre foi.

Aqui ficam algumas imagens que recolhi, nos sítios do Luzirão e Chote, freguesia do Jardim da Serra:

     

   

       


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